Policia

Polícia desvenda historia dos 100 kg de cocaína que foram furtados de delegacia.

Delegado foi quem planejou o crime e pretendia faturar R$ 100 mil pela droga.

Publicada em 17/05/21 às 15:32h - 70 visualizações

por Thatiana Melo (Midia Max)


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Polícia desvenda historia dos 100 kg de cocaína que foram furtados de delegacia.
Prédio da delegacia de Aquidauana aonde aconteceu o furto planejado pelo delegado.  (Foto: Reprodução)

Um plano arquitetado nos mínimos detalhes por um delegado, com o intuito de furtar 100 quilos de cocaína apreendidos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e armazenada em delegacia do interior do Estado, acabou frustrado e revelou uma trama que teve o prédio da delegacia mapeada e escolha a dedo do dia em que a droga seria furtada. O plano foi arquitetado  nos mínimos detalhes, mas culminou na condenação do delegado e mais duas pessoas, tendo como palco a delegacia de Aquidauana. O objetivo era negociar a carga milionária com traficantes que eram os donos da droga apreendida pelos agentes federais. 

O delegado da Polícia Civil Eder de Oliveira é o personagem central dessa história descoberta no dia 10 de junho de 2019, quando se percebeu que os 100 quilos de cocaína desapareceram de forma misteriosa de dentro da delegacia. Em uma delação premiada feita à Corregedoria da Polícia Civil, os comparsas do delegado, a advogada Mary Stella e seu marido, Ronaldo Alves de Oliveira, revelaram detalhes de como foi organizado todo o processo para a retirada da droga do distrito policial. 

No documento a que o Jornal Midiamax teve acesso, Mary Stella revela que o delegado Eder a chamou, logo após a apreensão da droga que fora guardada no prédio da delegacia. Eder pediu para que ela checasse com seu marido Ronaldo o valor do quilo da cocaína no mercado, já que o homem conheceria compradores. Ainda segundo o depoimento, Eder teria combinado com o casal o valor de R$ 100 mil para que o plano fosse colocado em prática. A cocaína apreendida estava sendo negociada com terceiros e a suspeita é que a droga pertencia ao grupo criminoso que 'perdeu' o carregamento durante a batida da PRF.

Decidido a colocar o plano em prática, o delegado Eder apresentou para Mary Stella detalhes do prédio da delegacia e registros fotográficos de pontos ‘frágeis’ do local foram feitos por ela. Eram locais onde câmeras de segurança não filmavam, os conhecidos 'pontos cegos'. As fotos foram enviadas pela advogada para o celular do marido.

Conversas de WhatsApp, do dia 11 de junho de 2019, mostram transferências bancárias feitas para a conta de Mary Stella. O dinheiro era depositado na conta da advogada para que não ficasse registrada a entrada de valores na conta do delegado Eder, que por sua vez recebia o dinheiro até em sacolas de perfumes entregues pela advogada a ele.

 

 Trecho da delação premiada obtida pelo Jornal Midiamax


Execução do plano e substituição por cal

Com o mapeamento da delegacia pronto, era a hora de escolher os dias para a subtração da droga. A decisão foi retirar o carregamento do prédio em duas etapas. Os dias escolhidos para o ato criminoso foram aqueles em que estaria de plantão um policial conhecido por ‘ter medo’ de averiguar barulhos que escutava no pátio da delegacia.

Com tudo arquitetado, o delegado Eder pediu para que Ronaldo e Mary Stella contratassem alguém para poder executar o furto e entrar na delegacia pelos fundos para invadir o depósito. O próprio delegado, conforme a delação premiada, foi quem quebrou a alavanca de uma das janelas da delegacia, o que facilitaria a retirada da cocaína que estava em sacos transparentes armazenados em prateleiras. Uma escada foi usada para que os comparsas contratados pudessem pular o muro de 2,5 metros e entrar no local.

Mas, o plano que parecia ser perfeito, acabou caindo por terra por um erro. Tudo começou quando um carro Toyota Corolla que levaria a droga da delegacia acabou passando em frente ao prédio. No local havia câmeras de segurança que flagraram o veículo.

Para o primeiro dia de retirada da cocaína da delegacia, foram contratados dois presos do semiaberto. Eles receberam cada um R$ 10 mil pelo trabalho, e um deles acabou comprando uma motocicleta no valor de R$ 8 mil. Mas, como foram penalizados no semiaberto por não se apresentarem no horário marcado, a situação poderia levantar suspeitas e eles acabaram ficando de fora do segundo dia de retirada da droga, que aconteceu na madrugada de domingo para segunda, em 10 de junho, dia em que se descobriu o furto da droga.

Na segunda retirada da cocaína, foram cerca de 30 minutos entre a invasão no prédio, o furto da cocaína e a saída, sendo que o embarque da droga no Corolla demorou cerca de 40 segundos. A cocaína iria ser substituída por pacotes de cal e a ideia era que ninguém perceberia a troca, já que a incineração da droga estava marcada para alguns dias depois. 

Pagamentos

O delegado Eder de Oliveira teria recebido em ocasiões diversas, na rua e até dentro da própria delegacia, valores da advogada Mary Stella referente aos pagamentos pelo furto a cocaína. Ao todo, segundo a delação. foram três repasses de R$ 5 mil, depois R$ 15 mil e mais R$ 20 mil. O dinheiro era depositado na conta da advogada para que não deixasse rastros na conta do delegado.

Marido de Mary Stella, Ronaldo disse em delação premiada que do valor acordado para o furto, recebeu apenas R$ 80 mil, já que com a descoberta precoce do sumiço da cocaína não houve tempo de receber o restante.

Investigação

Com a descoberta do sumiço da cocaína da delegacia, a Corregedoria da Polícia Civil foi até Aquidauana para apurar o acontecido. Operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) também foi deflagrada com intuito de apurar responsabilidades do sumiço. O delegado, conforme depoimentos, chegou a dizer para policiais que não era necessário esforço deles para descobrir quem eram os autores do furto da droga, já que todos ali seriam suspeitos.

No dia 8 de julho de 2019, logo após as investigações terem iniciado com a Corregedoria, o Gaeco deflagrou a operação Balcão de Negócios, que cumpriu 12 mandados de prisão. Neste dia, o delegado Eder chegou a orientar Mary Stella e Ronaldo para cometerem novo crime, dessa vez o delegado queria que o carro usado pelos agentes do Gaeco fosse interceptado, o objetivo era que celulares apreendidos na operação fossem furtados e dificultasse a elucidação do sumiço da droga. 

A defesa de Eder ainda tentou derrubar a delação premiada feita pela advogada e o marido para a Corregedoria à época, mas o pedido do delegado foi indeferido pelo juiz de direito Ronaldo Gonçalves Onofri, já que tanto Ronaldo como Mary Stella disseram ter feito a delação de forma espontânea.

Condenação

Foi determinada pela Justiça a perda do cargo o delegado, assim como, a pena de 14 anos e sete meses em regime fechado pelo crime. Na decisão, a Justiça alegou que Eder estava envolvido com grupo criminoso e utilizou de sua posição para facilitar o furto da droga. Ainda há brecha para recorrer na Justiça. Em março deste ano, ele foi demitido da Polícia Civil. Ele também foi condenado a 37 anos de prisão por estupro de vulnerável.

Já a advogada Mary Stella foi sentenciada a 6 anos de reclusão e seu marido Ronaldo foi condenado a 20 anos.




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